segunda-feira, 22 de julho de 2019
domingo, 23 de junho de 2019
quarta-feira, 19 de junho de 2019
terça-feira, 11 de junho de 2019
Anoitecer em Chaux
quinta-feira, 6 de junho de 2019
sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
sexta-feira, 10 de julho de 2015
domingo, 7 de novembro de 2010
primeira tentativa de título... (Parte 13)
Chaux, é esse o nome.
A musa disse Chaux.
Lembro-me nitidamente.
Elas riam, se acariciavam e diziam chaux.
Isso poderia ser qualquer coisa. Qualquer coisa.
Meus pés estão sangrando novamente, mas não doem.
Continuo estranhando o meu corpo.
A casa está vazia e vejo a neve caindo pela janela. Tive a impressão de que ontem não nevava, mas já não sei o que significa ontem e hoje. Amanhã talvez... talvez...
A noite parece nunca chegar aqui. É sempre tudo tão luminoso e tão branco. Estou em um tempo fora de um tempo. Num dia fora do tempo.
Em suspensão.
domingo, 17 de janeiro de 2010
ainda sem título, mas ainda esboçando algum (Parte 12)
Parte 12
Volto à mesma imagem.
Sentado, um pacote na mão, a mulher vestida em renda. Busco qual peça falta ou então que peça sou. Onde me encaixo?
Desencaixo.
Me questiono demais agora e esqueço que meu corte não cicatrizou, que meus pés ainda sangram e que meu corpo está mudado. Sinto vontade de comer carne vermelha, daquelas bem mal passadas e que sangram muito.
Ele busca algo para se cobrir.
Encontro um casaco, visto e saio da casa. A neve congela meus pés, não sinto mais a dor do corte, mas a dor do frio... meus pés congelam pouco a pouco e eu não me importo.
Vejo que a velha passa e não me nota. A natureza muda.
Resolvo segui-la.
Me escondo atrás de árvores, arbustos, casas.
Ela carrega um cesto. O mesmo, sempre o mesmo.
Pausa.
O reflexo dos meus lábios em matéria gelo.
Pausa 2.
Respiro e não me vejo.
Pausa 3.
Continuar.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
ainda sem título, mas ainda esboçando algum (Parte 11)
Parte 11
Ele está sentado em um banco de cemitério/praça. Folhas de outono o cercam. Ele veste um casaco vermelho e carrega um saco de papel.
Ele se levanta, olha ao longe e vê uma mulher vestida em renda. Muitas flores a cercam.
Neste exato momento eu abro meus olhos. A casa velha está vazia e eu não lembro mais a continuidade disso tudo. Estou nu e não me reconheço. Meu corpo não se parece como antes. Percebo meu corte que nunca cicatriza... escorre sangue.
Não faz mal.
Nu, ando pela casa. Descalço corto os meus pés nos rastros de cacos de vidro. Procuro na cozinha a velha ou o sr. Corcunda.
Me repito. Uma sensação de que não saio do lado A. Em que parte o disco riscou?
Sinto sede e não tem água, isto sempre acontece.
Meus pés sangram.
Meus pés ardem.
O chão está branco.
Olho pela janela da casa e neva.
Neva doce.
A velha garimpa o campo branco.
Isto está ficando cada vez mais difícil. Não me aproximo do fim... desisto?
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
da evasão - évasion
https://youtu.be/eH_NSoMcNU4
por Thaís de Almeida Prado
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
ainda sem título, mas ainda esboçando algum (Parte 10)
Ao abrir os olhos me vejo em cima de uma cama. A camisola de renda está posta sobre uma cadeira com jeito de que espera sua dona.
Escuto um barulho e um cheiro de café invade minhas narinas.
Tenho vontade de chegar até lá.
Me levanto e percebo que estou sem roupa. Meu corpo está cheio de feridas, como se fossem pequenas queimaduras arredondadas. Meu corte feito no caco de vidro na janela sangra.
Vou em direção ao barulho que parece vir da cozinha com seu cheiro de café.
Vejo uma velha e tento me aproximar dela. Ela me oferece o café, e me dá uma espécie de pão para comer, me faz sentar em uma cadeira meio torta.
A velha é pequena e tem os cabelos um tanto avermelhados. Me sinto seguro com ela aqui.
Um gato preto sobe em cima da mesa, tento brincar com ele e levo um arranhão no braço.
A gata siamesa prenha aparece ao meu lado, pula no meu colo e lambe o meu corte.
Sinto uma vertigem.
A velha sai com um balde de madeira cheio de água que escorre.
Da janela vejo que ela conversa com o senhor corcunda.
Agora eu sei de onde eles vem.
domingo, 3 de janeiro de 2010
Chaux - Nowhere
sábado, 2 de janeiro de 2010
ainda sem título, mas já esboçando algum (Parte 9)
Levanto de onde estou e resolvo fuçar os cômodos da casa.
O chão da casa range. Não me sinto estável, tudo onde piso em algum momento parece que irá desabar. Como eu a desabar.
Olho para o armário entortecido e vejo a gata siamesa prenha em cima dele. Resolvo abrí-lo.
A porta está emperrada e a fechadura completamente enferrujada.
Me esforço para virar a chave na fechadura.
Puxo com força. Ao abrir um pó branco começa a escorrer do armário com muita força. Me sinto soterrado e queimando.
A gata siamesa mia como as gatas no cio... o Miado é estridente. Meu corpo queima e meus ouvidos explodem.
Neste momento não há pausas.
As pausas seriam uma elipse.
O que é uma elipse mesmo? O som me causa arrepios.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
ainda sem título, mas já esboçando algum (Parte 8)
Mais uma vez como de costume.
Mais uma vez como de costume ninguém me percebe aqui.
As árvores não tem mais folhas, estão secas e retorcidas, estão como se amputadas.
Me sinto obscuro.
Não quero mais ficar aqui.
Resolvo sair sem ser visto.
Andar pela estrada cheia de folhas esvoaçastes.
O vento é frio.
Sigo em direção a uma torre, que imagino ser alguma igreja velha, mas ela parece estar extremamente longe. Não me importo e sigo.
No meio do caminho me deparo com ruínas de casas. Ruínas de espaços perdidos pelo fogo, ou por alguma guerra ou espaços simplesmente abandonados...
Dentro destas faíscas de um provável lugar onde pretendo estar, encontro uma casa com vidros quebrados.
Decido entrar para me esconder do frio.
Pulo um janela e me corto em um caco de vidro. A dor é forte mas me sinto bem. Sinto que ainda estou vivo.
Dentro da velha casa encontro um armário antigo meio “entortecido”, algumas camas espalhadas, e uma camisola de renda. A camisola me chama a atenção, está posta em cima de uma cama de uma maneira cuidadosa, como se estivesse esperando sua dona.
Olho e fico admirando aquela geometria.
Lembro de alguma coisa de minha infância. Nada claro...
Nada claro...
Tudo branco na minha cabeça.
Pausa.
Neste momento eu tento me levantar porque percebo que estou caído no chão.
Neste momento ele pretende se levantar porque percebe que está caído no chão.
Neste momento sua dor é grave e ele grita para dentro.
Neste momento ele está só, e só há vestígios.
Um gato aparece e lambe seu corte causado pelo vidro da janela.
A língua é áspera.
A língua me dói.
Pausa.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
ainda sem título, mas já esboçando algum (Parte 7)
Hoje ela passou por aqui. Estava linda e nua. Seu corpo brilhava alguma substância que eu não compreendia. Ela passou e eu resolvi seguir.
Me escondi por entre árvores e arbustos. Me escondi por entre os musgos e contra luz do sol.
Ela segurava seu cesto, colocava-o no chão, e se deitava na terra molhada. Os gatos começaram a lamber seu corpo. Lambiam de cima abaixo. Ela ria de prazer e enfiava as mãos e os pés na terra. Gritava como se gozasse.
Eu queria correr atrás dela e me enfiar em suas coxas. Queria mergulhar minha cabeça por entre aquelas pernas sadias e fazê-la gritar.
Eu queria tanta coisa, mas apenas observava a cena e os gatos a se aproveitarem daquilo que eu sequer tomei a atitude de começar a fazer.
Outra musa aparece vestida em rendas e passa um óleo sobre seu corpo. Em seguida joga uma espécie de pó que brilha. A musa nua grita, e já não sei mais se é de dor ou prazer.
Os gatos saem de perto e a deixam só.
Eu estou só atrás das moitas, mas me sinto vigiado.
Não sei mais se sonho ou se mergulho em uma realidade distinta de toda realidade que já vivi.
Resolvo sair de perto e procurar uma outra maneira de me aproximar delas.
Tenho medo de ser visto porque parece uma cerimônia secreta e violenta.
Ao mesmo tempo me instiga participar, porque daqui de onde estou pior não poderia ficar. Tenho medo do meu destino, mas sinto que tenho que continuar seguindo.
ainda sem título, mas já esboçando algum (Parte 6)
Hoje sonhei com as musas. Acho que foi sonho porque não quando abri os olhos eu estava sozinho.
No meu sonho elas vinham juntas, me jogavam no chão e começavam a tirar minha roupa. Eu não estendia muito bem, mas gostava.
Aí eu via a gata prenha passar por mim e me lamber com sua língua áspera. As musas começavam a jogar algo que parecia pequenas pedras em cima de mim, e eu me queimava.
Elas jogaram um óleo e mais alguma coisa áspera em meu corpo.
Eu gritava.
Uma das musas com o óleo passava a me acariciar.
Meu pau ficava duro. Mas doía. Doía muito.
Eu escutava um zumbido nos ouvidos, um zumbido que não se cessava nunca.
A gata prenha me lambia de novo, e depois uma sensação de soterramento me veio sem imagem alguma. Meu corpo ardia e eu me sentia soterrado. Afogado.
Lembro de fragmentos de uma musa com a boca ensangüentada rindo muito. Ela gargalhava, neuroerótica.
A neuroerosis.
domingo, 13 de dezembro de 2009
ainda sem título, mas já esboçando algum (Parte 5)
Um pássaro negro me observa.
Ou talvez eu observe ele.
Não sei, não tem jeito. Não tem saída.
Nada. Quanto tempo mesmo passei aqui?
Será que não é o momento de ir?
Elas não apareceram ainda. Tenho frio. Nem gato, nem sapo e nem cachorro pra contar história. Só as folhas que voam. Loucas.
Esse vento poderia me levar. Me levar sem fim.
Me levar até não sobrar nada.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
ainda sem título, mas já esboçando algum (Parte 4)
Estou sem inspiração para continuar e as maçãs apodrecem aos poucos.
Ah, sim. Não havia falado das maçãs ainda. Aqui, uma macieira me faz companhia. As vezes sinto que coisas caem em minha cabeça. Ontem mesmo caiu uma maçã talvez por isso em algum momento eu apaguei.
Enfim, aqui elas têm caído facilmente, provavelmente a época do ano.
Enfim... sem inspiração.
Sinto que se eu ficar neste banco por muito tempo serei bombardeado por maçãs... ou por merda de pomba. Odeio as pombas. Já disso isso? Provável. Sempre digo isso... Uma vez uma pomba velha e feia veio se sentar ao meu lado numa tempestade de vento frio. Ela me olhava com olhos singelos. Acho que foi a primeira vez que não odiei pombas. Ficamos ali cúmplices durante horas, até que a tempestade passou, e ela se foi andando meio manca. Nos respeitamos. Mas em geral eu as odeio, não sei bem porque, talvez porque sejam muitas e vivem fazendo merda na cabeça dos outros, ou talvez porque disputam como loucas a comida, ou porque vêm de enxeridas comerem a nossa.
O vento passa cortante por aqui.
As folhas têm voado como nunca e as maçãs têm caído mais que o normal. Elas ainda estão boas.
Como para passar o tempo.
As maçãs.
Mais uma.
Hoje estou a ponto de ir. Hoje resolvi que vou seguir as musas e seus gatos. Ainda não descobri o que se passou ontem quando escutei o grito de mulher. O fato é que desde então não tenho visto nem musas e nem gatos.
Justo hoje que decidi ir atrás deles.
Ao longe escuto um barulho do trem que me fez chegar até aqui. Que horas são agora, me pergunto...
O tempo passa e eu continuo sem inspiração para continuar. Me sinto sozinho pela primeira vez, e o vento me assombra um pouco.
As musas não passaram até agora e isso não é comum.
Hoje me pergunto, se ninguém nunca se perguntou do por quê eu as chamo de musas. Não sei, mas hoje eu me pergunto porque cargas d’água? As vezes as palavras me vêm na boca e eu não consigo mais tirá-las de mim. Enfim, começou assim e ficou assim. Sem muitos questionamentos agora.
Parei.
A continuação não flui. Espero que ao menos um gato apareça.
